Segundo a Cufa Goiás, 407 mil pessoas vivem no estado com cerca de R$ 10 por dia para pagar as contas e se alimentar. Famílias relatam dificuldades que vieram com a pandemia...
O motorista Valdísio Alves da Cruz aproveita quando
sai com a esposa de carro para colher lenha que encontra pela rua, em Goiânia. Segundo ele, a iniciativa é uma
solução para economizar no gás de cozinha e poder cozinhar para a família.
“Optei por cozinhar à lenha para economizar no gás. No preço que está, três botijões são R$ 300. A família é grande e está muito difícil manter a vida. Dá trabalho, mas vale a pena”,
disse.
Segundo ele, a família vive com um salário mínimo
e, alternando gás e lenha é possível fazer o botijão durar o dobro do tempo.
Presidente da Central Única das Favelas em Goiás
(Cufa-GO), Breno Cardoso contou que um estudo feito em fevereiro de 2021 aponta
que há 407 mil pessoas no estado vivendo na extrema pobreza no estado – com
cerca de R$ 10 por dia para pagar as contas e se alimentar. Por isso, a maioria
depende de doações para ter comida na mesa.
“Vários fatores relacionados à pandemia fizeram com que isso acontecesse. Quando as aulas passam a ser remotas, por exemplo, as crianças voltam para casa, os pais que tinham emprego informal deixam de poder ir desenvolver seu trabalho para ficar com as crianças em casa”,
observou.
Ainda de acordo com Breno, também por causa da
pandemia, as doações para essas famílias carentes diminuíram muito, o que
dificultou ainda mais a vida dessas pessoas.
Há dois meses trabalhando como merendeira, Aurora
Pereira tinha um salão de beleza que precisou fechar por causa da pandemia da
Covid-19. Segundo ela, a renda que ela tinha para sustentar a si própria e a
filha caiu de cerca de R$ 3 mil para R$ 1,1 mil.
“Você olha para as coisas e não vê solução. Tem três talões de água sem pagar, você não tem um lanche para dar para sua filha. [...] Vai tirando tudo da sua vida, até alegria”,
contou.
Outra família que mora em Goiânia e enfrenta
dificuldades é a de Ketlen Raiane dos Santos. Ela está desempregada e o marido
vive de bicos. O casal ainda precisa sustentar dois filhos pequenos e nem
sempre têm comida em casa – um garoto de 2 anos e uma menina de 6 meses.
“Eu entro em desespero. Às vezes a gente pede na rua para dar comida para os nossos filhos. Se fosse só a gente ainda dava de passar, mas com duas crianças fica complicado. Criança não aguenta ficar com fome”,
disse a mãe.
Fonte: G1 Goiás
Esta matéria é em oferecimento de:
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