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★ FARID CAMILO NAHAS - Fez a moda pegar, e os alto-falantes criaram um ambiente festivo e divertido em Catalão.

Foto: (Reprodução) /Farid Nahas no Show da Cidade


NOS TEMPOS DO SHOW DA CIDADE...
(Por Luís Estevam)


Perto do esbarrancado da Santa Casa de Catalão existiu um sobrado, construído por um imigrante sírio,  que acomodava as mais variadas atividades. Na parte térrea, os cômodos  eram alugados a diferentes profissionais. Havia uma selaria que produzia chinelos e botinas, um artesanato de colchões de capim, um salão de barbeiro, uma pequena cozinha onde se faziam doces quebra-queixo e uma oficina de ourives. No cômodo dos fundos, o proprietário trabalhava como funileiro, reciclando latas e transformando-as em baldes, regadores, funis e copos. Para uma cidadezinha, o sobrado tinha uma movimentação impressionante.

Foto: (Reprodução) /O sobrado da família Nahas

No andar de cima ficavam os quartos onde residia o funileiro sirio, Camilo David Nahas, sua esposa Alice Haddad e oito filhos.

O sobrado fora construído, na virada do século passado, por Felipe Nahas, quando ainda não havia a Santa Casa, nem o Mercado Municipal e tampouco a ponte sobre o córrego Pirapitinga. 

O pioneiro Felipe Nahas foi um dos vários imigrantes sírios a chegar em Catalão onde montou um armazém de secos e molhados. Com o seu falecimento, o sobrinho Camilo Nahas herdou o prédio juntamente com o estabelecimento comercial. Porém,  com o tempo, Camilo fechou o armazém e alugou os cômodos da parte térrea garantindo um rendimento. A sua esposa, Alice Haddad, que conhecera no navio em direção ao Brasil, também operava comercialmente. Fazia quibes semanalmente e colocava os filhos para vender pela cidade.

Foto: (Reprodução) /Farid Nahas na Rádio Cultura em 1960

Nesse ambiente fabril e febril, cresceu o menino Farid Nahas, nascido em 1931, o segundo mais velho dos oito filhos do casal. Garoto muito esperto, cursou apenas o primário, mas aprendia tudo na escola da vida. De personalidade extrovertida e marcante, desde menino, era o comunicador do sobrado. Quando o Seu Rola (Aguiar de Paula) instalou um alto-falante na porta do açougue no São João,  o jovem Farid Nahas usava o microfone para dedicar músicas, veicular recados, achados e perdidos, anunciar festas, velórios etc.  


Foto: (Reprodução) /O jovem Farid Nahas no tempo dos alto-falantes


Nascia ali um grande comunicador. A sua voz, pausada e agradável,  enchia os céus de Catalão anunciando novidades e promoções. 

A moda pegou. Os alto-falantes criaram um ambiente festivo e divertido em Catalão. Logo Farid  Nahas também operava no alto falante do William Tartucci e no aparelho do Calixto Abrão. Foi quando o empreendedor José Miguel Chaud fundou a Rádio Cultura de Catalão, em 1954, levando Farid Nahas para os microfones da emissora. O jovem tornou-se locutor, discotecário e operador de som. Tudo ao mesmo tempo, até a rádio se estruturar.

Mas, em 1964, Farid Nahas foi convidado a ingressar na Rádio Brasil Central de Goiânia. Partiu, juntamente com o catalano Jackson Abrão, um jovem que ele próprio treinara na arte dos microfones. Na capital, Farid Nahas se tornou um dos grandes comunicadores de Goiás. Foi, inclusive, repórter oficial do governo Otávio Lage e de Leonino Caiado. Na época, acompanhou de perto a construção do estádio Serra Dourada e do autódromo de Goiânia. 

Depois de uma década, porém, a saudade de Catalão bateu mais forte. Abandonou a carreira brilhante, bastante promissora na capital, retornando aos microfones da Rádio Cultura de Catalão.

Assim, nasceu o programa Show da Cidade, em 1974, que durou nada menos que 28 anos ininterruptos até o falecimento do locutor em 2003.

O Show da Cidade não era um programa e sim um acontecimento diário. Uma geração inteira de catalanos conviveu com Farid Nahas e seus entretenimentos cotidianos. Através do rádio, Farid exercia, com inteira liberdade, o apostolado do bem comum. Ouvia as pessoas mais humildes, buscava solução para seus problemas, entrevistava políticos, atletas, artistas, intelectuais e empresários, acompanhando de perto o dia a dia do município. 

De quebra, Farid Nahas dava oportunidade a novos profissionais, incentivando-os até perderem o medo dos microfones. Isto ocorreu, por exemplo, com 

  • Nery Mesquita, 
  • Paulo César, 
  • Antonio Paulino, 
  • Luís Estevam 
  • e outros.
Foto: (Reprodução) /Jornal Últimos Acontecimentos

Farid Nahas ficou até o fim da vida nos microfones do Show da Cidade. Quando faleceu, a Rádio Cultura deu a notícia e imediatamente desligou a emissora, saindo do ar, por mais de uma hora. Um gesto de silêncio muito significativo.  Naquele dia, 05 de outubro de 2003, os telefones da emissora não paravam de tocar. Toda a programação do dia foi alterada porque a comunidade catalana inteira quis registrar, no ar, seu depoimento particular sobre Farid Nahas.

Foto: (Reprodução) /Diário de Catalão

Hoje o Show da Cidade existe apenas na memória dos mais velhos. Mas, a voz de Farid Nahas ainda ecoa nos céus de Catalão.   


Fonte: Luís Estevam e Academia Catalana de Letras 


Esta matéria é em oferecimento de:




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