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★ NOSSAS HISTÓRIAS, NOSSA CATALÃO - Sem dúvida, a sobrevida do Colégio Mãe de Deus, desde 1921, constitui um dos maiores orgulhos de Catalão.

Foto: (Reprodução)  


CENTENÁRIO DO COLÉGIO NOSSA SENHORA MÃE DE DEUS por Luís Estevam (Academia Catalana de Letras)...


Em janeiro de 1921, há exatamente 100 anos, chegavam em Catalão as madres agostinianas, com a intenção de abrir uma escola para moças na cidade. Vieram de Barcelona, na Catalunha, convidadas pelo vigário, Monsenhor Souza, iniciando um empreendimento que já dura um século. 

De lá para cá, sem interrupção nos trabalhos, a instituição de ensino esteve presente na formação educacional de grande parte da comunidade catalana.

Existe uma fonte de pesquisa inestimável sobre o assunto. A trajetória do colégio foi publicada, há mais de dez anos, no livro 
"História que se torna Vida",
 
de autoria de Maria da Glória Rosa Sampaio e Eriziane de Moura Silva Rosa, contendo uma admirável pesquisa sobre a fundação e o crescimento da instituição. O livro se tornou a grande referência memorial do colégio agostiniano em Catalão. 

Neste ano do centenário, certamente novas informações virão a público sob a coordenação da acadêmica Maria da Glória Rosa Sampaio, catalana de grande conhecimento e capacidade intelectual. 

Vale a pena revisitar os primeiros passos de tão importante empreendimento.

Sem dúvida, a sobrevida do Colégio Mãe de Deus, desde 1921, constitui um dos maiores orgulhos de Catalão. 
  • Quantos empreendimentos industriais e comerciais que surgiram na mesma época, ou mesmo depois, não existem mais? 
  • Quantos clubes, instituições, entidades e órgãos de imprensa foram criados e hoje restam somente nos registros históricos do município?

A verdade é que, no silêncio e na solidão dos seus muros, o Mãe de Deus nunca perdeu o antigo vigor. O segredo foi a sua constante renovação, acompanhando as transformações sociais, aliada à competente dedicação de suas diretoras ao longo dos anos. 

Porém, o início foi muito difícil.  

A paróquia de Catalão estava sob orientação dos padres espanhóis agostinianos desde o final do século XIX. Os religiosos fundaram o colégio masculino Sagrada Família, em 1914, que acabou fechando por falta de alunos. O colégio não deu certo porque as famílias  abastadas mandavam seus filhos para estudar fora e as famílias mais pobres não podiam dispensar os filhos jovens da labuta na roça ou nas indústrias locais. 

As meninas e moças, enquanto isso, continuavam sem formação educacional adequada. Diante disso, o vigário de Catalão, Francisco Ignácio de Souza, começou a agir no sentido de abrir um colégio feminino na cidade.

Foto: (Reprodução) Monsenhor Souza

O clérigo, posteriormente conhecido como Monsenhor Souza, manifestava o seu desgosto pelo atraso de sua paróquia, desprovida de um só estabelecimento de ensino regularmente organizado. Chegou a formar uma comissão de trabalho com as famílias de 
  • Francisco Silva Ribeiro, 
  • Manoel Dias Prates dos Santos, 
  • Christiano Victor Rodrigues, 
  • Odorico Gonzaga de Siqueira, 
  • Randolpho Campos, 
  • Jocelyn Gomes Pires, 
  • Roque Rodrigues da Paixão, 
  • Afonso Paranhos, 
  • Joaquim Netto Carneiro, 
  • Agostinho Martins Teixeira, 
  • Marcílio Ayres, 
  • Miguel da Silva Neto, 
  • Antonio Sebba 
  • e Osório Américo de Aguiar.  

Desse modo, apoiado por famílias de Catalão e com 
a anuência dos padres agostinianos, Monsenhor Souza conseguiu recursos junto ao bispo da Cidade de Goiás para sua pretensão, o que possibilitou a vinda de algumas irmãs agostinianas  do exterior para fundar, em Catalão, um colégio para meninas e moças da região. 

Como voluntárias, para assumir tal missão, apresentaram-se cinco irmãs espanholas: 
  • Natividade Gorrochategui, 
  • Maria da Paz Hernandez, 
  • Mercedes Iriarte, 
  • Esperança Guarrido 
  • e Inês Lopez. 

Foto: (Reprodução) /As madres pioneiras do colegio Mãe de Deus

Elas deixaram Barcelona em janeiro de 1921 e o próprio Monsenhor Souza foi recebe-las no Porto de Santos. De lá, passando por Campinas, Uberaba e  Araguari, vieram de trem para Catalão. Almoçaram em Goiandira na casa da família da escritora Maria das Dores Campos, que se tornará professora da instituição. 

Na estação ferroviária de Catalão houve festa de recepção ao grupo religioso. A população se acotovelava na plataforma para conhecer as freiras meio a estampidos de foguetes e imensa curiosidade. Os moradores conheciam padres, mas freiras ainda não haviam pisado por aqui.
 
Da estação, as irmãs agostinianas desceram a pé, seguidas pela população, para a sua nova moradia. Foi cedido a elas, pela paróquia, o velho casarão à beira do Pirapitinga que pertencera antigamente ao saudoso padre Luiz Antonio da Costa. Este fora nomeado vigário de Catalão em 1852 e falecera em 1895, durante uma viagem a Paracatu. 

Foto: (Reprodução) /Antigo Colégio Mãe de Deus

O casarão era uma construção colonial, com janelões e grossos portais de madeira, assoalho de tábuas largas e sem forro. Ali as freiras entraram para morar e ingressaram para sempre na vida de Catalão. 

Tiveram que se habituar aos velhos costumes de uma cidade interiorana, com ruas esburacadas e lamacentas, repleta de carros de boi e sacudida por uma série interminável de violentas mortes.

A casa, de fogão a lenha, era servida por água diretamente dos regos e possuía um imenso quintal até as margens do córrego. Contaram com a ajuda e boa vontade de várias pessoas da comunidade, que fizeram todo o possível para ajuda-las, minimizando suas dificuldades iniciais e tropeços. 

Receberam aulas de português da professora Victorita Victor Rodrigues, recém formada no Rio de Janeiro. Receberam também orientações, culinária e doméstica, por parte de Dona Rola de Araújo, esposa do português Joaquim de Araújo, seus vizinhos.

Depois de tornada a casa habitável, com móveis e utensílios doados por famílias mais abastadas, as agostinianas começaram a se preparar para os trabalhos educacionais, que começaram no próprio casarão. 

Em 02 de julho de 1921, seis meses após a partida da Europa, começaram a dar aulas em Catalão. Os bancos escolares eram de madeira maciça, toscos e pesados, que rodeavam uma grande mesa, utilizados pelas alunas como carteiras escolares. Todas ficavam ao redor de uma mesma mesa. 

Naquele primeiro semestre de funcionamento, em julho de 1921, dado o esforço de Randolpho Campos e Dirceu Victor Rodrigues, as freiras arregimentaram trinta alunas.

Logo inaugurou-se o internato para atender moças da zona rural e de cidades vizinhas, como também servir de formação de vocações religiosas que foram surgindo ao longo dos anos. Inclusive, a primeira freira agostiniana do Brasil foi a catalana Maria de Jesus Victor Rodrigues, a jovem professora de português das irmãs. 

Foto: (Reprodução) /A catalana que foi a primeira madre agostinianas no Brasil

Somente em 1935 construiu-se um novo prédio  para o colégio, a princípio só térreo, ocasião em que o internato já acomodava 150 alunas. 

A partir de então, com uma admirável administração por parte das diretoras, o colégio adquiriu terrenos adjacentes, aumentando largamente as dependências, criando anexos, prédios novos, além  de uma imponente e acolhedora capela.

No entanto, a maior edificação foi no campo intelectual. Os catalanos devem muito às madres agostinianas pelo esforço despendido na seguida formação de suas gerações durante um século. 

Foto: (Reprodução) /Primeira turma de normalistas do Mãe de Deus

Por isso, todos devemos, com entusiasmo, comemorar este brilhante aniversário.  


Esta matéria é em oferecimento de:

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