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★ CATALÃO É NOSSA HISTÓRIA - O triste fim de José Theodoro da Silva Xavier, ninguém o chamava pelo nome, pois era conhecido por Zé Carretel.

Foto: (Reprodução) /José Theodoro da Silva Xavier


Os casos de violência gratuita foram inúmeros e muitos se encontram registrados em cartórios e informativos da época...


Na década de 1920, Catalão fervia de situações perigosas. Por situar-se na fronteira com Minas Gerais, era palco de levas e levas de valentões fugitivos, que se punham a serviço de fazendeiros e de coronéis na cidade. 


Os casos de violência gratuita foram inúmeros e muitos se encontram registrados em cartórios e informativos da época. 

Para entendimento do ambiente hostil de outrora, basta relembrar o caso de uma família do município.  


No início da década de 1920, José Theodoro da Silva Xavier era um proprietário rural dedicado aos seus negócios. Diziam que era prestativo, trabalhador e muito agradável. 

Porém, acabou se envolvendo em graves desentendimentos que culminaram com a sua morte. 


Na época, José Theodoro era um dos prósperos fazendeiros da região da Fazenda dos Casados e bastante popular. Ninguém o chamava pelo nome, pois era conhecido por Zé Carretel.  


Casou-se com uma  moça de família tradicional, neta do coronel Marianinho dos Casados, antigo proprietário de toda aquela imensa região.  


A moça, Ana Ambrosina da Silva, de apelido Inhana, era muito geniosa e decidida. Dedicada ao trabalho, mas altiva e de forte personalidade. 

A ela, Zé Carretel obedecia, mesmo que fosse a contragosto.


Foto: (Reprodução) /O fazendeiro Zé Carretel com a esposa e filhos.

Inhana e Carretel viviam tranquilos, cuidando da fazenda, onde tiveram três filhos.  


Mas, tudo mudou quando Emidgyo Mariano da Silva, o pai de Inhana, fazendeiro da mesma região, foi morto pelo cunhado, Augusto Ayres da Silva. Inhana exigiu que o marido fosse ao encalço de Augusto e eliminasse o assassino do seu pai.  


Passado o episódio, dali em diante, Zé Carretel não deixou mais de andar com jagunços e estava sempre precavido.  


Certo dia, caminhava pela cidade de Catalão, quando uma prostituta mexeu com ele. Como ele não deu moral, a mulher, de nome Bernadina, começou a xinga-lo no meio da rua. 


Zé Carretel partiu para a agressão. Deu uma surra em Bernadina, não se importando que ela fosse enrabichada com o temido Salomão de Paiva, o intendente municipal. 


A humilhação estava feita. 

O intendente valentão havia de se vingar.  


Poucos dias depois, três desconhecidos chegaram na fazenda procurando Zé Carretel para negócios. Porém, o fazendeiro não estava. Disseram que iriam espera-lo.  


Foto: (Reprodução) /Sede da fazenda de Zé Carretel. Na porta, Dona Inhana e o filho mais novo.

Dona Inhana foi pegar um frango no quintal, para o almoço, quando descobriu três carabinas escondidas em um oco de pau, detrás de uma moita. Sinal que os homens vieram para matar o marido. Chamou disfarçadamente os empregados da fazenda, renderam e amarraram os três jagunços numa árvore.  


Zé Carretel chegou à noite, mas como chovia muito, o caso ficou para ser resolvido no outro dia. Dormiram e, de manhã, depois do café, foram ter com os homens amarrados.  


Os três pediram perdão, disseram que iriam embora e nunca mais pisariam em Catalão. Zé Carretel quis liberta-los, mas Inhana exigiu que os eliminasse. Perguntou, com o filho no colo, 

"Você mata, ou eu mato?!"
 

Diante disso, o fazendeiro atirou nos homens e os enterrou perto do rego d'água. Com as chuvas, os corpos foram reaparecendo e tiveram que ser sepultados bem mais longe.


A polícia veio em busca dos jagunços, a mando de Salomão de Paiva, mas nada encontraram. As carabinas haviam sido atiradas na represa.  


Inhana exigiu retaliação. Sentiu-se humilhada dentro de sua própria casa. Convenceu Zé Carretel a enviar dois jagunços para matar o intendente, que foram descobertos e mortos na entrada da cidade. 


Daí em diante, Zé Carretel passou a andar somente a noite com medo de tocaia. Até que, certo dia, teve que apanhar o milho na roça. Estava receoso de sair, mas foi encorajado pela mulher.  


Na roça, foi morto por dois jagunços escondidos no milharal. Um deles saiu ferido e foi levado para Catalão pelo companheiro.  


O corpo de José Theodoro da Silva Xavier, o Zé Carretel, foi sepultado na fazenda onde, até hoje existe uma cruz no local. 


Seus empregados tentaram vingar o patrão, mas dois foram logo eliminados à beira do córrego do Almoço por jagunços de Salomão de Paiva.  


Enquanto ocorriam esses conflitos, Bernadina, a prostituta que levou a surra, fugiu para Araguari com um ferroviário com quem tinha um caso amoroso. 


O intendente Salomão de Paiva, pouco tempo depois, foi assassinado na cidade, no dia 7 de setembro de 1924. 


Está, é uma outra história.  


(Luís Estevam)



Fonte: Luís Estevam e Academia Catalana de Letras  


Esta matéria é em oferecimento de:



FOLHA DE CATALÃO - A NOTÍCIA DE FORMA DIRETA


 

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