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★ TRADIÇÃO E SUA HISTÓRIA - Festa em Louvor a Nsa. Sra. do Rosário tem uma história de luta e conquistas

Foto: Folha de Catalão /Festa em Louvor a Nsa. Sra. do Rosário 2020
 

NA TRADIÇÃO DO ROSÁRIO  


A Festa do Rosário é o maior acontecimento sócio-religioso de nossa região. A bela tradição tem suas origens no século XIX e conta, pelo menos, com 144 anos de existência. De acordo com registros históricos municipais, desde 1876 a Irmandade de Nsa. Sra. do Rosário já existia, levando a crer que, naquela época tinha uma festa organizada na cidade, além de romaria em louvor à santa realizada inicialmente na zona rural.  


Tudo começou quando um descendente da família Monttandon, de origem alemã, mudou-se de Araxá para Catalão, logo depois da metade do século XIX. Esse descendente de imigrantes, Pedro Netto Carneiro Leão, casou-se com Dona Henriqueta Cristina da Silveira e tornou-se um grande fazendeiro na região de Catalão. Antes, ele havia feito uma promessa a Nsa. Sra. do Rosário, santa de sua devoção em Araxá, que iria realizar uma grande festa em sua homenagem na cidade de Catalão.  


Pedro Netto Carneiro Leão preparava-se para cumprir o compromisso quando foi acometido por uma grave moléstia. Encarregou, então, o seu filho, na época com nove anos de idade, para quitar sua promessa com a santa.   


O menino, Augusto Netto Carneiro, cresceu e, como o pai, prosperou na vida rural. Senhor de muitos escravos, selecionou um grupo de negros, mandou-os para Araxá a fim de aprenderem regras e técnicas das danças e rituais praticadas na terra do seu falecido pai.  


Logo formou em Catalão um numeroso agrupamento de devotos e foliões onde cada grupo obedecia as ordens de um

"Capitão"
e todos eram organizados sob o comando de um
"General".


No dia da estréia da tão esperada festa, em outubro de 1876, ocorreu um contratempo. O vigário da paróquia, padre Joaquim Manoel de Souza, não concordou com a realização dos festejos, alegando se tratar de um rito pagão. Fechou a igreja e desapareceu com as chaves.  


Mas, o fazendeiro Augusto Netto Carneiro não se intimidou. Mandou arrombar as portas da igreja em construção (Velha Matriz) onde promoveram a maior festa religiosa, até então realizada em Catalão. Mesmo na ausência do vigário, os membros da Irmandade de Nsa. Sra. do Rosário coordenaram todos os festejos.


Na verdade, a Festa do Rosário tem uma história muito sofrida, compartilhada por todas as famílias que se dedicaram, ao longo do tempo, ao cultivo da tradição. Não fossem elas, a festa não existiria a não ser na memória dos antepassados.


Foto: Reprodução /Luis Estevam   (Membro da Academia Catalana de Letras)


A princípio, durante várias décadas, a Irmandade enfrentou a proibição de exercer a sua devoção em igrejas, até construir a sua própria. Em 1936, a comunidade recebeu a doação de um terreno, feita por Enéas Fonseca, e foi erguendo vagarosamente a construção, com trabalho voluntário e pequenas doações de devotos.  


Foto: Reprodução /Luis Estevam   (Membro da Academia Catalana de Letras)


Enquanto isso, as festas eram realizadas, ano após ano, na casa dos festeiros ou mesmo em lotes vagos pela cidade. Por fim, quando a igreja ficou pronta, a comunidade enfrentou a invasão comercial das barraquinhas que enfraqueceram bastante o sentido religioso das comemorações. Ainda, no início da década de 1980, as chuvas derrubaram a torre da igreja que foi reconstruída com dificuldades pelas famílias devotas.  


O mais importante, no entanto, é que, mesmo diante de tantas dificuldades e desafios, a estrutura original da festa sobreviveu quase sem alterações: Irmandade, Família Real, General, Capitães, Caixeiros, Soldados, Conguinhos e Bandeirinhas.  


A Irmandade continua sendo responsável pela manutenção da igreja e pela realização dos festejos. O Rei, por sua vez, sempre foi a figura principal dos eventos e cabe à Rainha transportar a coroa que simboliza a Senhora do Rosário, acompanhada pelos Príncipes e Princesas no percurso dos rituais.  


O Capitão cuida da organização de cada terno, geralmente comandado por dois capitães, monitorados de perto pelo General da Congada. Os Caixeiros sustentam o ritmo forte e pesado do batuque e os Soldados são os foliões e brincadores. Conguinhos ficam no final da fila e geralmente são filhos e netos de congadeiros. Bandeirinhas são as moças que abrem os desfiles, tradicionalmente meninas virgens que dançam à frente dos ternos, cantando e carregando bandeiras.  


Foto: Folha de Catalão /2017


Os ternos mais antigos de Catalão são o 

  • Pio Gomes (1935), 
  • o São Francisco (1940), 
  • o da Congregação do Rosário (1942), 
  • o Santa Terezinha (1948), 
  • o Catupé Nsa. Sra. Mercês (1953), 
  • o Vilão Santa Efigênia (1954), 
  • o da Mãe de Deus (1961), 
  • o Catupé São Benedito (1970) 

  • e o da Sagrada Família (1973).  


O grupo Moçambique é formado por ternos especiais que remontam às raízes da festa. Todo o procedimento da Entrega da Coroa, por exemplo, é feito pelo grupo Moçambique que não interrompe a batida e segue todos os passos cantando e tocando pela cidade.   


A comunidade catalana tem uma dívida muito grande com todos esses personagens que realizam a Festa do Rosário que tanto engrandece a nossa cidade e região. Salve o Rosário!


Fonte: Luis Estevam   (Membro da Academia Catalana de Letras)



Esta matéria é em oferecimento de:





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