https://imgur.com/ZIwdItP.gif

★ NOSSA HISTÓRIA - POUSADA DA LAGOINHA PAQUETÁ

Foto: (Reprodução)


Os catalanos conhecem a Lagoinha Paquetá, que fica no alto do bairro São João, às margens da Avenida Dr. Lamartine...


Trata-se de um espaço bem conservado, em termos de equilíbrio ambiental, onde funcionam o Ibama e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.  


Foto: (Reprodução)


No entanto, o que poucos catalanos sabem é que, naquele lugar existia antigamente uma conhecida  pousada, tão famosa a ponto de ter sido mencionada no livro  

Foto: (Reprodução)

"Grandes Sertões: Veredas"

 de Guimarães Rosa. O estabelecimento era frequentado pelos viajantes que vinham de Formosa dos Couros e Paracatu em direção à Barretos e Alto Paranaíba.  


A dona da estalagem era Marcelina de Freitas, conhecida pelo apelido de 

"Mogiana".

Por isso, o nome Pousada da Mogiana ter ficado conhecido entre os comerciantes que percorriam as veredas do interior do país.  


Era a época das tropas e boiadas, na virada do século XX, quando era intenso o movimento de condutores e negociantes de gado. Com o surgimento de charqueadas em Barretos e Araraquara, interior de São Paulo, a criação de gado fluía desde as nascentes do rio Tocantins, subindo pela região de Formosa e Paracatu e ganhando o vasto interior de Minas Gerais e Sul de Goiás.  


Deste modo, Catalão esteve inserido na rota das andanças de peões, boiadeiros e tropeiros pelo interior e a Pousada da Mogiana se tornou um ponto de estadia reverenciado pelos inúmeros viajantes.  


Foto: (Reprodução)


A história é interessante e começou pouco antes de 1920, quando Marcelina de Freitas, junto com algumas amigas, abriu um bordel em Catalão na antiga Praça Uberlândia, bem próximo aos trilhos da estrada de ferro. A casa ficou conhecida como Chalé da Marcelina. Desde essa época, a dona do estabelecimento ganhou o apelido de 

"Mogiana"

porque era enrabichada com um maquinista da Estrada de Ferro Mogiana, ferrovia paulista com sede em Araguari-MG. O rapaz, sempre que vinha a Catalão, apitava insistentemente a locomotiva para chamar a atenção de Marcelina, chegando quase a estacionar o comboio à porta do chalé na praça.  


O fato é que, Marcelina soube ganhar dinheiro no ramo e conseguiu adquirir uma chácara nas cercanias do São João, conhecida como Lagoinha Paquetá. O local era selvagem, sem moradias próximas e bem afastado da cidade. Pouco a pouco, ela edificou uma aconchegante pousada perto da lagoinha, à beira da antiga estradinha de acesso à Custódia, Mata Preta, Povoado da Barra, Pires Belo e Santo Antônio do Rio Verde. Na verdade, a estalagem estava na rota boiadeira de Formosa, Paracatu, Barretos e Alto Paranaíba.


Com esmerado capricho e dedicação, Marcelina tocou a pousada conhecida e disputada pelos mais abonados viajantes e boiadeiros do sertão. Ela somente não gostava do apelido de 

"Mogiana".

 Para ser mais exato: odiava ser tratada assim. Quem ousasse chamar Dona Marcelina de 

"Mogiana",

 ou imitasse o apito da locomotiva paulista, arrumava encrenca. Vários incautos testaram a raiva da 

"Mogiana"

e tiveram que afinar diante dos disparos de seu revólver de 12 balas! Isso mesmo. A arma era uma raridade e foi vista por várias testemunhas. Inclusive, o ex-prefeito Bento Rodrigues de Paula registrou, em seu livro de memórias, que viu de perto e manuseou o revólver de 12 tiros de Dona Marcelina.  


Foto: (Reprodução)


Entretanto, o cenário mudou depois da metade do século passado. O comércio de gado alterou a sua rota, foram abertas várias estradas de rodagem e surgiram novas charqueadas pelo interior. A Pousada da Mogiana foi perdendo o seu antigo brilho e vigor, o casarão foi demolido após a década de 1960, restando quase somente as árvores frondosas e a Lagoinha Paquetá. 

Mas, Dona Marcelina de Freitas ficou na memória da cidade, aqui constituindo grande e respeitada família.   
A propósito, Dona Marcelina foi bisavó do senador Olavo Pires, um filho de Catalão que foi assassinado quando concorria ao governo de Rondônia em 1990.  

O senador, filho de Olavo Gomes Pires e de Ruth de Freitas, foi morto em tocaia depois de ganhar o primeiro turno das eleições para governador de Rondônia. Olavinho, como era conhecido, havia saído de Catalão e adquirido fazenda naquela região no final da década de 1970. Pessoa muito popular e conhecida, foi deputado federal e senador por Rondônia antes de ser executado. O assassino foi preso somente 19 anos depois, no Rio de Janeiro, mas o crime não foi inteiramente elucidado.  

De qualquer forma, a sua bisavó, Dona Marcelina de Freitas, juntamente com a pousada da Lagoinha Paquetá, continuam ocupando um lugar especial na história contemporânea de Catalão. 

(Luís Estevam)



Fonte: Luís Estevam e Academia Catalana de Letras


Esta matéria é em oferecimento de:





FOLHA DE CATALÃO - A NOTÍCIA DE FORMA DIRETA

Tags
Reações

Postar um comentário

[blogger]

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget