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★ NOSSA HISTÓRIA - Neste fragmento dessa rica história de Catalão, chegamos no Distrito de SARV.


A Academia Catalana de Letras recorda, mais uma vez que. Santo Antonio do Rio Verde teve uma das famílias mais cruéis e perigosas do município de Catalão... 


Vários destacamentos policiais foram enviados ao distrito para prender o bando armado. Mas, não obtiveram sucesso. 

De certa feita, inclusive, essa família eliminou friamente alguns soldados que estiveram no seu encalço. Sepultou-os nus, em uma vala comum, e enviou os uniformes dos mortos de volta para o delegado de polícia de Catalão. 

O grupo de bandoleiros era comandado por uma mulher. Seu nome era Ernestina, mais conhecida como Caetaninha de Rio Verde.

Ilustração do livro de Cornélio Ramos ao narrar a história de Caetaninha.

Mais de um século se passou, mas a história, registrada primeiramente pelo escritor Cornélio Ramos, continua sendo repetida pelos moradores locais de geração em geração. 

Caetaninha ganhou o apelido por ser filha de Caetano, um jogador profissional de baralho que montou uma pensão em Santo Antonio do Rio Verde, na segunda metade do século XIX, quando o povoado se tornou distrito de Catalão. 

A mulher, jovem e muito bonita, sabia agradar os viajantes que cruzavam a região vindos de Paracatu, Formosa, Barretos e Triângulo Mineiro. Nessa época, Santo Antonio do Rio Verde era um importante entroncamento de tropeiros e de boiadas em direção à charqueada de Barretos. 

O pároco de Catalão era Luiz Antônio da Costa. O jovem padre frequentava a pensão de Caetano quando ia cumprir obrigações religiosas naquele distrito. 

Caetaninha ficou grávida do reverendo e, para despistar, logo se casou com um pretendente que não se incomodou em aceitar aquela paternidade. 

Da relação com o vigário nasceu Urias, o filho predileto de Caetaninha, que ainda teve mais três outros filhos por parte do marido. 

Diga-se de passagem, que o celibato por parte de padres, naquela época, não era regra inviolável. Vários sacerdotes se tornaram chefes de respeitáveis e numerosas famílias.

O próprio vigário Luiz Antônio da Costa, mais tarde, uniu-se a Maria Cristina Rodrigues em Catalão, formando um lar tranquilo e harmonioso. O casal teve quatro filhos: 
  • Maria Luiza da Costa Netto, esposa do Cel Augusto Netto Carneiro, 
  • Amazília Angélica da Costa, que veio a se casar com o Cel Augusto Paranhos, 
  • Antonio Ludovico da Costa que se casou com Jorgina Pimentel Ulhoa,
  • Luiz Antonio da Costa Filho que morreu solteiro. 


Desse modo, o vigário formou um tronco respeitável de famílias catalanas. 



Vista atual do distrito de Santo Antônio do Rio Verde.

Mas, em Santo Antonio do Rio Verde a história era outra. Caetaninha, com suas amigas, cobrava bem caro os afagos que faziam aos viajantes e fazendeiros da região. 

Aos poucos, a estalagem foi se tornando um local de extorsão, de crimes e de ameaças. Inclusive, alguns compradores de gado desapareceram misteriosamente em estadia naquela pensão. 

Caetaninha viveu no luxo e no fausto por muito tempo. Até que perdeu o pai, perdeu amigos e perdeu a tão querida beleza e juventude. Amargurada e rejeitada, estimulou os filhos a se tornarem bandoleiros, especialistas na prática da desordem, crimes e atos delituosos. 
O filho mais cruel era o Urias, mas o bando era reforçado pelos irmãos e jagunços contratados. 

Em toda a região de Santo Antonio do Rio Verde, Formosa e Paracatu, o bando de Caetaninha ficou afamado e temido. Agia primeiramente longe do distrito, mas conservava endereço fixo: 
"o casarão da velha pensão em Santo Antônio do Rio Verde. De lá partiram as ordens para eliminar vários fazendeiros da região." 
A gota d'água foi o assassinato de um fazendeiro muito estimado na região. Jerônimo Antônio, conhecido por Jerônimo Có-Có, apareceu varado por balas de carabina na estrada de sua fazenda. Os ânimos se exaltaram contra Caetaninha e seus filhos. 

A polícia de Catalão não obtinha êxito no enfrentamento do bando. Inclusive já tinha enviado soldados para prender Caetaninha, mas o delegado recebeu somente as fardas dos mortos.

Diante disso, o irmão do fazendeiro assassinado, Davi Có-Có, se dirigiu à velha capital de Goiás e denunciou o bando às autoridades que resolveram acabar com a desordem. 

Enviaram um grande pelotão de soldados para Santo Antonio do Rio Verde, fizeram um cerco na pensão  e foram eliminando, um a um, todos os bandoleiros. 
Sofreram baixas, inclusive o próprio comandante do pelotão, mas os soldados venceram. 

Filho de Caetaninha, Chico Caetano, que escapou da chacina por estar viajando.

Da família de Caetaninha restaram somente o filho Chico, que estava viajando, e o neto Osório, com dois anos de idade, arrancado das mãos dos soldados por insistência de Davi Có-Có e outros moradores.

Neto de Caetaninha, Osório Caetano, que tinha dois anos de idade no dia da chacina.

Assim, Caetaninha foi mais uma catalana que tombou na violenta história do município.  




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