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★ NOSSA HISTÓRIA - Mais um fragmento rico de Nossa Querida Catalão



A Academia Catalana de Letras recorda que, 

Na esquina da Av. 20 de Agosto com a Rua Bernardo Guimarães, existe uma casa que foi considerada assustadora e amaldiçoada por mais de meio século.    

No antigo casarão residiu, em duas ocasiões diferentes, o escritor Bernardo Guimarães.

Foto: Reprodução /Luís Estevam - O escritor Bernardo Guimarães que residiu em Catalão em duas ocasiões.

Na primeira vez, em 1852, como juiz de órfãos na vila do Catalão e, dez anos depois, como juiz de direito da recém emancipada cidade de Catalão.

Tudo indica que o escritor viveu bem feliz naquela residência, pois retornou contrariado para o Rio de Janeiro. Ali convivera com sua  amásia, Jequitirana, com quem partilhava frequentes noites de boemia e de cachaça. 

Quando se mudou de Catalão, porém, a vivenda ganhou fama de mal assombrada e maldita, conforme registrou Ricardo Paranhos em diversas crônicas sobre o assunto.  



Foto: Reprodução /Luís Estevam-Maysa Abrão /Primeira fachada do velho casarão em que morou o escritor Bernardo Guimarães.

Os fatos estranhos começaram a ocorrer em 1862, logo depois que Bernardo Guimarães deixou aquela morada. O imóvel pertencia a uma senhora idosa, de formação religiosa  muito rígida, devota do 

"Senhor dos Passos". 
Como não possuía herdeiros, deixou um testamento, ao falecer, doando a velha casa, como herança, ao 
"Senhor dos Passos",
 o santo de sua devoção.  

Entretanto, um chefe político  da época não concordou e quis reivindicar para si a propriedade. Para tanto, contratou um famoso advogado de Paracatu, conhecido como Pássaro Preto, que não temia mover ações contra santos e igrejas. 


O rábula, porém, não conseguiu anular o testamento da falecida, porque sentiu um mal súbito, caindo inerte ao chão, bem no portão de entrada da velha casa. Em menos de dois dias, o Pássaro Preto foi sepultado no antigo cemitério de Catalão.



Foto: Reprodução /Luís Estevam-Maysa Abrão /Segunda fachada do casarão após uma grande reforma.

Mas, o político não desanimou e acabou ganhando a propriedade do casarão na justiça, que passou a alugar para os interessados. 

Primeiro, a velha residência foi alugada para um alferes da polícia acompanhado da esposa e duas filhas. Em pouco tempo, o soldado sofreu um ataque apoplégico ficando inteiramente paralítico. A mulher e as filhas caíram na prostituição, deixando-o em completo abandono até morrer.  


A vítima seguinte foi um tal de Francisco Faustino que passou a residir naquela antiga casa. Uma tarde, estava ele na janela da sala, distraído com o movimento da rua central, quando um escravo, que o odiava, cravou-lhe nas costas um espeto de ferro, matando-o. 


O próximo morador foi um fazendeiro, que viera da roça com a família, para colocar os filhos na escola. Logo, em consequência de um 

"bicho-de-pé" 
que se inflamara, veio a gangrena e o levou. 

A casa foi, então, vendida a um comerciante mineiro, que ali se estabeleceu com uma sortida loja. Dentro de pouco tempo faliu, ficando reduzido a nada. Revendeu o imóvel por uma ninharia e se mudou de Catalão.  


O novo comprador mandou benzer a casa, enfrentando a maldição, mas acabou louco varrido perambulando pelo município. Até mesmo o antigo chefão político, que havia se apropriado do imóvel, foi perdendo prestígio e acabou na miséria.  


Conforme referendou o escritor Ricardo Paranhos, os moradores de Catalão consideravam o velho casarão amaldiçoado. Quando cruzavam aquela esquina, que dava no beco da Rua dos Pretos, faziam o sinal da cruz e apressavam o passo. Até o andor da procissão do 

"Senhor dos Passos", 
quando passava frente à casa, pesava tanto, escreveu Ricardo Paranhos, a ponto de ser necessária a ajuda de mais pessoas a suste-lo para a imagem não cair. Mas, no final do século XIX, o casarão foi inteiramente reformado, ganhou uma nova fachada e a herança maldita desapareceu. 


Foto: Reprodução /Luís Estevam-Maysa Abrão /O velho casarão depois de reformado na virada do século passado.

Famílias tradicionais de Catalão, como os Victor Rodrigues, Ayres e Barbosa  habitaram o novo casarão, que se tornou uma bela vivenda.  Já no final do século passado, o casarão recebeu uma nova e profunda reforma, mas que não  conservou os seus antigos traços.  

Mas, continua sendo um dos locais privilegiados da memória da cidade, em virtude do seu ilustre morador do passado, o escritor Bernardo Guimarães.  





Fonte: Luís Estevam e Academia Catalana de Letras


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