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★ NOSSA HISTÓRIA - Mais um fragmento de nossa rica história, Catalão a "Atenas de Goias".

A Academia Catalana de Letras relembra que, em 1910, um cidadão vilaboense publicou que Catalão era a "Atenas de Goiás". Nem ele imaginava que a cidade iria gostar tanto do título que o conservou pela eternidade...


Nos tempos antigos, a referência maior das civilizações eram as cidades de Roma, na Itália, e de Atenas, na Grécia.
A primeira representava a força física, as guerras, a dominação e o império. 
A segunda era a cidade dos intelectuais, dos filósofos, da retórica, do cultivo da literatura e da sabedoria.

Diante disso, depois de pesquisar a produção intelectual de Goiás, o respeitado professor Francisco Ferreira dos Santos Azevedo comparou Catalão a "Atenas de Goiás".


Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, o professor que denominou Catalão como a "Atenas de Goiás".

Não era um professor qualquer. Nasceu na Cidade de Goiás em 1875, filho de uma doceira que trabalhou duro para formar os filhos. Estudou no Lyceu vilaboense, na Academia Militar do Rio de Janeiro e em Ouro Preto onde se especializou em agrimensura.

Foi considerado um dos homens mais sábios e elegantes da antiga capital, onde residiu por toda a vida e teve onze filhos.
Francisco Ferreira dos Santos Azevedo tornou-se conhecido por várias iniciativas. 

Primeiro empreendeu uma ampla pesquisa histórica e geográfica no território de Goiás, elaborando um mapa e um apanhado valioso sobre mais de quarenta cidades e vilas do estado. Nessa publicação de 1910, o 
"Annuario Histórico, Geográfico e Descriptivo do Estado de Goyaz" 
trouxe também um conto de Ana Lins de Guimarães Bretas que, bem depois, seria conhecida como Cora Coralina. 


Ana Lins de Guimarães Bretas que se tornou conhecida depois como Cora Coralina, descoberta por Francisco Ferreira dos Santos Azevedo em 1910.


O conto era "Tragédia na roça" e o autor comentou: 
"é a maior escritora de nosso Estado, apesar de não ter ainda vinte anos de idade".
Cora Coralina teve o seu mérito reconhecido somente 50 anos depois dessa edição do "Annuario".

Foi também nessa publicação, de 247 páginas, que o autor batizou Catalão de "Atenas de Goiás" em razão da produção literária e do grande número de intelectuais da cidade no princípio do século passado.

Outra obra importante do professor Francisco Azevedo foi o "Dicionário Analógico da Língua Portuguesa", pioneiro no setor, que se tornou mais conhecido do que o próprio autor. Foi o primeiro dicionário de ideias afins no Brasil. Inclusive, a sua importância foi largamente reconhecida, há pouco tempo, pelo escritor e compositor Chico Buarque que se utilizou da obra do vilaboense na elaboração de suas canções. 

Na verdade, pode-se escrever sem o auxílio do dicionário, mas quem o tem à mão, tende a escrever de maneira mais refinada, com menos repetições e, sobretudo, com precisão no uso das palavras.

Como agrimensor, o professor Francisco Azevedo elaborou diferentes mapas temáticos do estado de Goiás. O primeiro, em 1902, apresentou tamanha precisão que apontou Catalão e a Fazenda dos Casados, cinco anos antes de a Cruz do Anhanguera ser encontrada no local.


Primeiro mapa elaborado em 1902 por Francisco Ferreira dos Santos Azevedo.

Francisco Ferreira dos Santos Azevedo foi considerado o professor "sabe tudo" na sua época e com imensa razão.
Acertou nos seus estudos historiográficos, na denominação de Catalão de "Atenas de Goiás" e antecipou em meio século a capacidade intelectual de Cora Coralina.



Cora Coralina depois de conhecida.

Sem dúvida, mereceria uma homenagem da cidade que
considerou como a "Atenas de Goiás".  

Mapa de Goiás mais detalhado por Francisco Ferreira dos Santos Azevedo  (1940).

(Luís Estevam)

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