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★ FLAMENGO - Sem memorial, Fla quer que todos se esqueçam dos meninos mortos.

Um memorial. Era o mínimo que os dez meninos mereciam do Flamengo /Flamengo


Além de brigar para pagar a menor indenização pelas mortes dos dez garotos, no seu irregular CT, Flamengo não constrói memorial prometido. Crueldade...


São Paulo, Brasil

Estão completando um ano das instalações do novo dormitório para os garotos entre 14 e 17 anos do Flamengo.
Os meninos vivem seguros em um hotel no Ninho do Urubu. 
O local era usado pelos jogadores do time principal.
A maioria dos clubes profissionais deste país não oferece metade do conforto que os garotos desfrutam. 
Houve cuidado especial com o dormitório.
São dois meninos por quarto com banheiro exclusivo, armários, televisão e bancadas para estudos. 
E um moderno sistema de ar condicionado.
Além de impecável refeitório.
O local teve o aval e foi elogiado pelo Juizado de Infância e Adolescência do Rio de Janeiro.
O Corpo de Bombeiros também liberou a obra.
Além do conforto, existe algo fundamental.
Há um rodízio de monitores. 
Divididos em grupos de 30 garotos, eles têm vigilância constante as 24 horas de  cada dia.
É o mínimo que se espera do Centro de Treinamento do clube mais popular do Brasil. E o mais rico.

Sem memorial, camisas expostas em frente ao Ninho do Urubu /Reprodução Twitter


Porém a atenção aos garotos só veio às custas da morte de dez meninos, no terrível incêndio na madrugada do dia 8 de fevereiro de 2020.

Dez jovens jogadores que dormiam, com mais 16 garotos entre 13 e 17 anos, em contêineres soldados, improvisados, irregulares e transformados em dormitório.
Com apenas uma saída, o 'dormitório' virou uma armadilha, depois que, muito provavelmente, um aparelho de ar condicionado improvisado, pegou fogo.
Não houve socorro imediato, de acordo com os depoimentos. Nem alarme. Nada.

16 tiveram a sorte de escaparem vivos.
Os outros dez garotos, não.
Tiveram mortes terríveis.
Ou morreram sufocados pela fumaça.
Ou queimados.


Um ano e meio depois da tragédia, a diretoria do Flamengo apenas conseguiu acordo judicial com quatro das dez famílias.

Nos acordos, os familiares se comprometem a não buscar qualquer outro ressarcimento pelos filhos, netos, sobrinhos que perderam.

No lado judicial, ninguém foi oficialmente responsabilizado, julgado, preso. Dez mortes que seguem impunes.
Tudo isso é terrível.


Mas algo simples demais, que ao menos acalentaria os pais, avós que entregaram seus filhos e netos para viverem sob a responsabilidade do Flamengo, e os receberam mortos, não foi feito. E nem nunca será.

Familiares foram impedidos de entrarem para rezar na concentração do Flamengo /Reprodução Twitter

Um memorial para os meninos mortos no Ninho do Urubu.
A área total comprada pelo ex-presidente George Helal, no dia 30 de agosto de  1984, foi de 144 mil metros quadrados.
Para a construção do melhor CT não só do Rio, do Brasil, mas da América Latina.

Nessa área gigantesca não há espaço para uma singela construção lembrando os meninos que morreram sob a proteção rubro-negra.
Os parentes das vítimas clamam pelo memorial desde que os garotos foram enterrados.

Quando as mortes completaram um ano, as famílias foram impedidas de entrarem no CT do Flamengo para rezarem, homenagearem os garotos.


A direção alegou que não haviam pedido autorização.
A saída foi rezar em frente aos portões fechados e protegidos por segurança.

Depois de muito conversarem com os dirigentes do Flamengo, os parentes têm a certeza. Jamais o memorial para os dez meninos será construído.
Porque não há o interesse de lembrar a tragédia.
Como se fosse manchar o luxuoso CT flamenguista.

Não há nada que lembre os meninos que perderam a vida no improvisado dormitório no Ninho do Urubu. O memorial deveria ser construído, como nas grandes tragédias humanas, para servir de marco.

Ter a certeza de que incêndio em dormitório improvisado e irregular jamais voltará a acontecer. Para compensar a frieza, a crueldade com que os garotos mortos têm sido tratados, torcedores juntaram R$ 1,5 mil e grafitaram os rostos dos meninos em um muro em frente ao Maracanã.


Os grafiteiros fizeram questão de pintar os meninos sorrindo, felizes, como um dia foram, sem imaginar a tragédia que acabaria com suas vidas.

Muro, pintado por torcedores, substituiu memorial que Flamengo não faz /Reprodução Twitter

A singela e espontânea homenagem ainda está lá. 48 quilômetros distantes do Ninho do Urubu.
Não bastasse a briga por dinheiro com os familiares, há a frieza com os meninos  mortos. Um clube tão importante como o Flamengo, de 124 anos, tem na sua história, alegria, conquistas, mas também tristezas e, infelizmente, essa tragédia.

Negar a história, fingir que não aconteceu, torcer pelo esquecimento, é uma demonstração de crueldade, incompatível com a história do clube mais amado do país.
Não vai adiantar.

Diretoria, na missa de um ano das mortes. Na igreja São Judas Tadeu, longe do Ninho /Flamengo

Diretorias podem renegar o memorial.
Mas a cada dia 8 de fevereiro, a lembrança voltará.
Famílias rezarão diante de um muro sujo no Maracanã.
Ninguém se esquecerá de:

  • Athila Paixão, de 14 anos;
  • Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, 14 anos;
  • Bernardo Pisetta, 14 anos;
  • Christian Esmério, 15 anos;
  • Gedson Santos, 14 anos;
  • Jorge Eduardo Santos, 15 anos;
  • Pablo Henrique da Silva Matos, 14 anos;
  • Rykelmo de Souza Vianna, 16 anos;
  • Samuel Thomas Rosa, 15 anos;
  • Vitor Isaías, 15 anos.


E como eles perderam suas vidas. No dormitório improvisado. Nos contêineres soldados.

Sob a 'proteção' do Clube de Regatas do Flamengo.

Clube que faturou R$ 857 milhões em 2019.

Ano que os meninos morreram...

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